sábado, 6 de setembro de 2014

Vida intelectual - Continuação



O Trabalho Permanente

            Assim como a oração é o desejo de encontrar Deus, o estudo é o desejo de encontrar a verdade. Obviamente não é possível estudar (no sentido estrito do termo) durante todo o tempo, mas é possível manter o espírito levemente concentrado, refletindo sobre os fatos da vida e assim estar sempre buscando a verdade.
            Cada fato, palavra, paisagem, ser humano são pistas para a verdade, é preciso saber vê-los com um olhar perquiridor e acostumar a mente às reflexões e tirá-la de suas divagações inúteis e desordenadas. É preciso também aprender a ouvir, pois um rude camponês pode demonstrar muita sabedoria.
            Ao contrário do que se poderia pensar, estar sempre à procura da verdade e desejando-a conscientemente, não esgota o espírito, pois de qualquer maneira estamos sempre pensando em algo. A diferença é que quando pensamos na verdade e direcionamos o intelecto na sua busca, apenas pensamos de modo direcionado, o que pode ser mais suave que o pensamento caótico de um cérebro perturbado. “o meu jugo é suave e meu fardo é leve”.

O Trabalho Noturno

            O sono pode colaborar com o trabalho feito durante o dia. É preciso colaborar com o sono para que ele possa colaborar com o estudo. Um pouco antes de adormecer e um pouco antes de acordar, importantes inspirações podem ocorrer, é preciso anotá-las e não deixar o sono ser perturbado.
            Antes de dormir é salutar também estabelecer um ponto de meditação que estará amadurecido ao levantar, lembrando que o sono nada cria, apenas combina e amadurece o que já foi plantado.
            Se o sono for assim bem regrado, poderemos esperar que se cumpra o ditado que diz “a noite é boa conselheira”. Essa espécie de repouso reparador nos adiantará o trabalho e completará muita coisa que começamos durante o dia.


A Madrugada e Os Serões.

            Dois momentos são de suma importância para o intelectual: o começo do dia e o seu fim. Cada um desses momentos devem ser preparados e vividos com sabedoria.
            A manhã é o momento de começar o dia e isso deve ser feito com oração, meditação e, caso possível, a missa.
            A noite é o momento de repousar. Mas antes de repousar é necessária uma boa preparação: não é recomendável gastar as horas finais do dia em atividades ruidosas, mas entregar-se ao recolhimento (ao exame de consciência) e à preparação do dia seguinte.


Os Instantes de Plenitude.

            Os assuntos concernentes aos momentos de descanso e preparação já foram abordados, resta agora falar do momento de trabalho propriamente dito.
            O intelectual deve reservar um tempo diário para o estudo segundo suas possibilidades. De preferencia que seja de manhã, pois não estará envolvido com distrações e estará descansado. Preparado esse tempo, nele deverá dedicar-se com afinco e concentração, sem deixar que ninguém nem nada o distraia, esse tempo é sagrado.
            Duas horas devem bastar para levar a cabo uma boa obra, desde que bem aproveitadas.
            Antes de começar algum estudo devemos ter pesado bastante se o conseguiremos levar a termo, pois devemos acabar tudo o que começamos senão viciaremos o nosso espírito e seremos inconstantes.