quarta-feira, 12 de junho de 2013

As Virtudes do Intelectual



Costuma-se alardear por esses tempos que a virtude do intelectual é a capacidade de crítica, de entender e transformar a realidade onde se vive. Dessa forma, uma boa formação intelectual daria ao indivíduo a virtude de duvidar e questionar tudo: a política, a religião, os valores sociais, etc. e de não acreditar em nada a não ser naqueles que o doutrinaram. Essa virtude promovida com toda força na atualidade costuma ser chamada de criticidade ou pensamento autônomo. Algumas linhas para refutar sumariamente essa postura já corresponderá aos nossos objetivos.
            A criticidade tal como a entendem nossos contemporâneos simplesmente não existe. Primeiramente porque para haver verdadeiro conhecimento são necessárias as virtudes e não pode alcançar a virtude aquele que tudo questiona e não quer obedecer. Segundo, porque toda ação requer princípios e os princípios por sua própria natureza apenas se aceitam, pois eles é que julgarão como falsos ou verdadeiros os conhecimentos adquiridos posteriormente. Quem quisesse questionar os fundamentos cometeria um contrassenso, pois como questionaria os fundamentos se não estivesse já apoiado em outros? De modo que é necessário estar sempre apoiado em um fundamento que é inquestionável. O homem, limitado como é, não pode fugir a essa regra. Terceiro porque a criticidade é um conceito tão vago e repleto de tantas interpretações que todos os que divergem poderão se acusar mutuamente de faltar com o "senso crítico". O conceito de criticidade, para um intelectual sério, não passa de uma palavra vazia e sem sentido, usada para a vanglória ou para vitupérios sem sentido. Não é à toa que apenas na atualidade é que passou a ser usado dessa forma, sendo que a filosofia antiga e medieval, até onde eu saiba, não chegaram a conhecê-lo nem sonhá-lo.
            Transformar a realidade é outra pretensão infernal que as universidades e escolas tem tentado colocar na cabeça de seus alunos. O que não entendem esses corruptores marxistas e relativistas é que a realidade, enquanto planejada por Deus, não se muda, se aceita. Explico-me melhor: os marxistas acham que a razão é fruto de um desenvolvimento histórico, que a moral é uma construção humana, que a verdade absoluta não existe, etc. pensando assim eles pensam que podem alterar a moral, o funcionamento da razão e assim por diante. Isto é, para eles não existe uma realidade objetiva imutável, existe apenas uma realidade cultural, social, econômica construída por homens e, portanto, sujeita a um eterno devir. O intelectual cristão deve responder a isso com uma atitude de submissão à realidade, amor pela verdade, zelo, não pela transformação social do mundo, mas pela salvação das almas e humildade. Sem humildade qualquer ignorante porta-se como um sabichão, ostentando tanto mais sua falsa sabedoria, quanto mais ignorante for de fato.
            O intelectual deve ser também desapegado do mundo e de sua própria personalidade, nunca sendo movido por interesses mesquinhos e não querendo submeter a verdade às suas próprias ideias. Esse é o erro do relativismo, quando diz que a verdade não existe cria o egocentrismo de que cada um tem a sua verdade, o que não passa de uma tremenda vaidade.