sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

O QUE É A VERDADE?



           Vi um dia num filme uma definição muito boa de verdade, atribuída a Santo Ambrósio, que dizia o seguinte: “A verdade não é uma ideia ou um estado da mente, mas uma pessoa: Jesus Cristo.” Essa definição expressa a doutrina do logos divino, que consta no primeiro capítulo do evangelho de São João. Devemos tê-la em mente em nossos estudos, pois encerra também um dos princípios básicos do intelectual católico.
            Embora no campo da fé tenhamos a definição acima, devemos também ter em mente uma outra definição da verdade que não contradiz aquela, mas a complementa: é a definição Aristotélica. A verdade é a correspondência do que é dito com a realidade. “Se, com efeito, o homem existe, a proposição pela qual nós dizemos que o homem existe é verdadeira e, reciprocamente, se a proposição pela qual nós dizemos que o homem existe é verdadeira, o homem existe. Contudo, a proposição verdadeira não é de modo algum causa da existência da coisa; ao contrário, é a coisa que parece ser, de algum modo, a causa da verdade da proposição, pois é da existência da coisa ou da sua não existência que dependem a verdade ou a falsidade da proposição.”
            É importante lembrar que a verdade em sua mais alta expressão é infinita e, portanto, não seria alcançada pelo homem através do seu próprio esforço e capacidade, é necessário que Deus faça a verdade, que é infinita, residir no homem, que é finito, o que constitui um verdadeiro milagre, e verdadeiros milagres só Deus pode operar. De modo que não vejo como possível praticar a filosofia sem uma doutrina segura e princípios firmemente estabelecidos pelo próprio Deus. Pois bem, essa doutrina segura e esses princípios são encontrados na Igreja Católica. O que nos faz lembrar de outra frase de Santo Ambrósio: o homem não deve se esforçar em buscar a verdade, mas em deixar-se encontrar por ela.
            Penso que o fato do homem poder encontrar a verdade só pode dar-se por um milagre assim como o fato do homem poder encontrar Deus. Pois pelo funcionamento ordinário das coisas como poderia o finito encontrar-se com o infinito? o perfeito com o imperfeito? Assim é o milagre da graça que torna esse encontro possível, exatamente como diz o concílio de Trento ao referir-se à doutrina divina: “O espírito humano é de tal feitio que, com grande esforço e diligência, consegue investigar por si mesmo, e chegar ao conhecimento de certas verdades relativas a Deus. Nunca, porém, poderia conhecer e distinguir, só com a luz natural, a maior parte das verdades que nos levam à eterna salvação, para qual o homem foi primordialmente criado e formado à imagem e semelhança de Deus.”