quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

A VERDADE EXISTE!



          O princípio de que a verdade existe funda-se no fato de que algo existe, e se algo existe certamente existe também a verdade sobre o funcionamento desse algo, isto é, se existe uma realidade, existem proposições que podem dizer corretamente essa realidade e isso seria a verdade; e existem proposições que podem dizer erradamente essa realidade e isso seria a falsidade.

            Esse princípio é explicitamente negado atualmente pela maioria daqueles que se dedicam à filosofia. Segundo o pensamento dominante atual, a verdade absoluta não existiria, mas apenas discursos sempre ligados a certos pontos de vista, construídos humanamente e refletindo o contexto histórico de cada sociedade ou mesmo as neuroses, preferências e pontos de vista de cada indivíduo ou grupo. Dessa forma, o que se tem é o famoso relativismo onde todas as opiniões gozam do mesmo estatuto e não existe superioridade alguma no campo da ideias.

            Podemos refutar de modo simples essas opiniões que negam a existência da verdade. Primeiramente é óbvio que sempre agiremos como se a verdade existisse, não é outra coisa o que faz aquele que nega a verdade, pois mesmo negando-a pretende dizer algo verdadeiro. O beco sem saída se mostra em toda sua implacabilidade: se digo que a verdade não existe e isso é verdade entro em um paradoxo, se digo que a verdade não existe e isso é mentira, logo a verdade existe. Isso demonstra duas coisas: primeira, como o ser humano é tolo e capaz de inventar tanta coisa imbecil; segundo como o poder de Deus nos fixou claramente a busca da verdade como um dos objetivos de nossas vidas, não nos deixando, no campo intelectual, nenhuma outra alternativa senão acreditar na existência da verdade. Não é possível negar a verdade, sempre agiremos e falaremos levando em conta a sua existência.

            À medida que o indivíduo se dispõe a discutir essa tese (a de que a verdade não existe) ele está dizendo com seus atos que a verdade existe, pois se discuto necessariamente estou defendendo algo que é verdadeiro enquanto meu oponente defende algo falso.

            Na antiguidade a filosofia despendeu um grande esforço para defender a existência da verdade contra os sofistas que a negavam. Sócrates, Platão e Aristóteles dedicam grande parte de suas obras a provar a existência da verdade. Protágoras afirmou que o homem é a medida de todas as coisas, e que, portanto, não há verdade absoluta, Platão num diálogo seu refuta tal tese, formulando o seguinte raciocínio: o homem é a medida de todas as coisas; eu sou homem; e digo o seguinte: o homem não é a medida de todas as coisas. Demonstrando assim o ridículo dessas teses paradoxais que até hoje grassam em nosso meio.

            Desde longa data o homem se vê em luta contra o ceticismo, não foi diferente com Santo Agostinho que em certa época de sua vida se viu obrigado a enfrentar os que na época eram chamados de acadêmicos. Santo Agostinho apresenta uma interessante e irrefutável ideia ao dizer que a verdade é eterna, pois antes de existir o mundo era verdade que este não existia e se o mundo deixar de existir a verdade subsistirá, pois então será verdade que o mundo não mais existe. Seu belo pensamento pode ser resumido na frase: “existirá verdade ainda que o mundo pereça.”

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

As Greves e a Justiça.


                
               Muitas greves despontam nesses últimos dias, sobretudo no setor público. Isso nos dá ensejo de refletir, na medida do possível, de modo desapaixonado, tentando compreender um pouco o ser humano e seus anseios, sua natureza e também a sociedade. No calor da batalha, por aquilo que alegam ser seus direitos, os grevistas, nem sempre afeitos à filosofia e à reflexão, mas movidos por interesses imediatos e guiados por sindicalistas, não parecem refletir sobre suas motivações íntimas (embora eu não possa dizer isso com certeza absoluta), nem mesmo nas consequências de sua luta, ou na justiça de sua causa. Gostaria, portanto, de nesse texto que escrevo, ajudar nessa reflexão, pois nunca vi estes aspectos (que exporei em seguida) serem abordados pelas discussões que se fazem a esse respeito. Aliás, a discussão beira a uma simplicidade assustadoramente elementar, e consiste mais ou menos no seguinte: 1- para a melhor qualidade dos serviços prestados à sociedade pelo estado, os funcionários devem ganhar mais. 2- o nosso salário está defasado. 3- precisamos de um plano de carreira. 4- o governo não cumpriu o combinado. 5- o serviço público está sendo desmontado. Na verdade isso não é uma discussão, mas apenas reivindicações. Quem delas faz parte, geralmente não reflete a fundo, apenas "luta", pois toma a justiça como algo facilmente identificável e obviamente ela está do seu lado, o lado dos “oprimidos” e “injustiçados” trabalhadores públicos.
            Poderíamos facilmente aderir e apoiar a greve de quem quer que fosse, caso se tratasse de uma penúria manifesta, isto é, caso estivessem em clara situação de miséria ou trabalhando de um modo claramente prejudicial à saúde. Mas devemos ficar em dúvida se apoiamos ou não quando os vemos, durante a greve, saudáveis e felizes jogando baralho, comendo pipoca, ouvindo músicas medíocres, dançando etc. Esse tipo de “vagabundagem” durante a greve atrai o minha desconfiança por dois motivos: primeiro porque não há uma situação de penúria nem de longe, vê-se sim uma relativa prosperidade e condições econômicas razoáveis, e não estou nem um pouco de acordo em apoiar interrupções de trabalho de quem anda de carro, tem moradia digna, veste-se bem, está saudável, trabalha uma jornada normal etc. Segundo: o comportamento durante a greve, como a ostentação do ócio imoral, a festa, a bagunça, também não atraem a simpatia de um observador criterioso.
            No caso dos professores, a situação é um pouco mais ridícula. Durante semanas culturais feitas nos colégios, incentivam as mais absurdas manifestações culturais, como o rock, sertanejo universitário, danças pornográficas. Depois lá estão eles, dizendo em altas vozes que a educação não é valorizada, que os professores não são bem pagos etc. Seria o caso de perguntar se incentivam a cultura de massa (claramente incompatível com o cultivo do conhecimento) porque ganham pouco, vingando-se assim nos aluno pelo baixo salário que recebem. Creio que o desamor que esses professores incentivam em seus alunos, através desses maus exemplo, são muito mais nocivos que os salários baixos, e para isso nunca os vi fazerem greve. O primeiro passo para a melhoria da educação é o amor ao conhecimento e à verdade e não o dinheiro que se recebe para dar aulas, embora um bom salário nunca deixará de ser justo. Mas não vejo como isso possa acontecer, enquanto na sala dos professores imperar as conversas banais, a televisão, as revistas da Avon, e outras coisas que vejo acontecer todos os dias.
            Os grevistas também interferem na liberdade alheia quando querem obrigar as pessoas a apoiarem as suas greves. Isso gera vários problemas, pois não é crime alguém estar satisfeito com o salário que tem e por isso se recusar a aderir a uma greve, mas na cabeça de muitos insanos, você é obrigado a estar insatisfeito senão estará prejudicando todo o conjunto, é a filosofia do “fura greve”. A liberdade fica então comprometida, pois discordar é ser injusto. Se fosse algo claramente criminoso eu até concordaria em interferir na liberdade, como por exemplo no caso do aborto ou de um assaltante, mas em algo tão nebuloso quanto uma greve, que podemos ter vários motivos para ter dúvidas, onde há tantos grupos em busca do poder, onde há tantas ambiguidades, não vejo problemas em não apoiar, acho até que não se deve apoiar, até se ter certeza do que está acontecendo e ter certeza de se estar agindo pela justiça. Malfadado mundo esse nosso! Onde o crime covarde que é o aborto gera polêmicas e dúvidas e as greves são vistas sempre como absolutamente justas.
            As greves também comportam o problema de darem ensejo a muitas desordens e subversões inúteis, obviamente os esquerdistas não entenderão minha crítica, afeitos que são a qualquer tipo de subversão enquanto não estão no poder, mas ao subirem lá massacram toda a voz discordante. Nas universidades os estudantes desocupados e inimigos do saber aproveitam qualquer pretexto para fazerem panelaços, atrapalharem as aulas dos outros com o rock maldito, quebrarem coisas, gritarem suas loucuras etc. São mais uma força usada pelos sindicalistas para ameaçar seus oponentes.
            Tomás de Aquino dizia que é melhor tolerar uma tirania moderada que tentar destituí-la, pois se corre então muitos riscos. Pode ser que não conseguindo vencê-la, a tirania fica pior; pode ser que o novo governante tema o destino de seu antecessor e esmague o povo ainda mais, e assim por diante. O poder dos sindicatos cresce nas greves e como podemos garantir que será um poder bem exercido? Quer dizer que devemos permitir  ao governo fazer tudo o que quiser? Não, mas devemos estar atentos que sempre quem reivindica almeja também o poder, porque acredita que poderá fazer melhor. Os sindicatos pressionando o governo conseguem sobre ele um poder de pressão, que depois pode virar acordos. Enfim, quem acredita numa solução política para os problemas da sociedade, não conhece a natureza decaída da humanidade.
            Na maioria das manifestações reivindicatórias sempre impera a falta de esforço de compreensão e a pressa de defender os próprios interesses, ou seja, impera a ganância e as paixões em detrimento da verdade. Nem sempre injustas, mas sempre perigosas demais para que o homem que se pretenda sensato apoie sem todo o rigor que um bom exame de consciência e da situação exigem.
            Esse problema coloca-nos outras perguntas: haveria um limite para as reivindicações humanas? Qual seria o limite? As pessoas que têm oportunidade de fazer greves sempre o farão, pois nunca haverá satisfação plena? Essas perguntas despontam à medida que vemos pessoas que possuem alto salário também fazendo greves. Nesse sentido seria de se perguntar se haveria um modo de satisfazer esse monstro grevista que de tempos em tempos se levanta para ser aplacado, pois se o governo fosse satisfazer o que cada um desses grupos acha justo o Brasil quebraria rapidamente seu orçamento, pois as reivindicações aumentam o nível de exigência, e a noção de justiça se torna cada vez mais distorcida. Quem lutou para conseguir um emprego que paga 1000 reais, quando conseguir esse emprego passará a achar o salário injusto, se seu salário aumentar para 1500 mais correção da inflação, ficará satisfeito por um tempo, mas logo achará injusto de novo,  e assim por diante. Ou estou enganado? A pergunta é: seria possível ao Brasil pagar as sucessivas reivindicações de todos esses grupos? As reivindicações têm limites? Portanto, você que apoia greves, pense nessas questões.
            As greves ainda podem acostumar os cidadãos à fraqueza de sempre pedir tudo ao estado, quando as situações adversas devem também ser enfrentadas com as forças de cada um.
            Um bom exemplo são os estudantes. Reclamam de que não há restaurante universitário, lá vai o governo e gasta o dinheiro público para fazer o restaurante; reclamam de que não há moradia, lá vai o governo e gasta o dinheiro público para fazer as moradias; reclamam então que não há dinheiro, lá vai o governo e cria bolsas. Quer mais paternalismo que esse? Esses jovens acabam se acostumando a uma choradeira sem fim. Pensam que as reivindicações acabaram? Quanto mais ganham, mais violentos e ingratos ficam, vejam o exemplo da USP. Talvez esteja correto ajudar os estudantes a terminarem a faculdade, o que quero apontar é a insatisfação e a ingratidão do ser humano. É bom lembrar que muitos jovens usam essa estrutura para se drogarem a maior parte do dia, pagando do modo mais abjeto aquilo que os que verdadeiramente trabalham lutaram para lhes proporcionar. É errado ajudar os jovens? Não. Mas é preciso enxergar que aqueles que reivindicam também podem aproveitar mal os benefícios, também podem fazer mal uso, também podem virar folgados. O que está errado nessa história é o fato de sempre colocarmos a culpa nos outros e querermos sempre achar que a sociedade é obrigada a nos dar tudo; também está errado ficar se enxergando sempre como o oprimido, quando somos muitas vezes o próprio opressor. O estudante que faz panelaço, fica bebendo no bar em vez de estudar, atrapalha os outros e gasta o dinheiro das bolsas (diga-se dinheiro de quem trabalha, que é o que ele não quer fazer, sob o pretexto de dedicar-se inteiramente aos estudos) fumando maconha, é um dos opressores da sociedade; o grevista que fica jogando baralho, ouvindo música podre e ostentando um ócio imoral para provocar é também o opressor. Façamos primeiramente uma greve de fome contra nós mesmos.
            Não é de se espantar que nessas situações nunca haja espaço para exames de consciência, pois o indivíduo se apaga e acende-se a tocha febril dos ditos “interesses coletivos”, nada mais arriscado para a paz e a unidade social.
            É também revoltante que a coisa mais capaz de mover as pessoas em torno de uma luta são os interesses materiais. A moral se deteriora, os grevistas dançam vanerão na universidade, estudantes gastam o dinheiro público com álcool e maconha, professores incentivam músicas torpes, professores de universidade não dão aulas, governo do PT promove o aborto, militância gayzista oprime a sociedade, novo código penal parece lutar contra tudo que há de mais sagrado etc. Quantas faixas temos visto a esses respeito? Quantas greves? Quantas notícias na TV? Talvez nenhuma, talvez muito poucas. O Brasil vive um momento crítico. As greves por mais dinheiro, ofuscam qualquer revolta que poderíamos ter contra aquilo que realmente importa. Tudo isso porque se crê que não é a moral que renova e melhora a sociedade, mas sim os investimentos. Torpe falácia, que se verdadeira fosse tornaria os políticos os melhores trabalhadores. Você grevista, se ganhasse mais trabalharia mesmo melhor? Não há aí uma relação necessária como se costuma acreditar. O indivíduo trabalha bem essencialmente por seu caráter e apenas acidentalmente pelo montante que ganha.
            Termino aqui minhas considerações, na esperança de que alguém leia e possa melhor refletir sobre esses acontecimentos.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

OS FRUTOS DO MAL


            A luta contra o aborto torna-se a luta emblemática contra o totalitarismo dos nossos dias, a crueldade envolvida na tentativa de legalizar o aborto é de causar vertigens. A elite gayzista por exemplo, que grita histericamente contra a discriminação dos gays, aprova e defende a legalização do aborto como um direito “sexual e reprodutivo da mulher”. Existe maior hipocrisia? Defender que um marmanjo barbado tenha o direito de ser chamado de Nicole, contra todas as evidências; enquanto nega ao feto seu estatuto de vida humana, novamente agindo contra todas as evidências morais, científicas, racionais, etc.
            O comunismo produz nefastamente seus frutos. Depois que essa maldita filosofia passou a grassar nesse planeta, para muitos homens a verdade passou a ser aquilo que é mais vantajoso politicamente, ou então aquilo que está de acordo com a “conjuntura histórica”, ou seja, a verdade passou a inexistir, posto que o “homem transforma sua forma de vida de acordo com a produção de sua vida material, de modo que a verdade não é estática, mas essencialmente dinâmica. A verdade tal como foi concebida não existe, o que existe são relações humanas e padrões morais sujeitos à transformação juntamente com a estrutura econômica que os sustentam.” São essas maluquices do materialismo dialético que faz com que muitos homens não tenham nenhum senso moral e nenhum limite para suas ações, pois quando qualquer consciência de culpa aponta em seu desafortunado coração ele dá a esse sentimento  um caráter de falsidade, pois “foi a sociedade que me condicionou a ter culpa, que me infundiu esses valores morais, não devo me importar com eles, pois compreendo o processo histórico e sei que para haver uma verdadeira transformação social a ética de cada um não adianta em nada, o que importa é a estratégia para a conquista do poder. E quando estivermos no poder faremos o que é certo, pois compreendemos o processo histórico de luta de classes.”
            O comunismo passa a produzir claramente seus frutos pérfidos. A terrível ideia de luta de classes é aplicada na sua mais torpe covardia: a classe dos abortistas contra os nascituros indefesos. Sei que pode haver comunistas que não sejam abortistas nem gayzistas (nunca conheci), mas negar que o comunismo está seriamente envolvido e muito contribuiu para gerar esses frutos, seria simplesmente tolice.
            A farsa do humanismo cai por terra retumbantemente. Mentira e só mentira foi tudo o que o comunismo, tanto prático como teórico, nos ofereceu desde o seu início. Prometia elevar o homem, lutar contra suas misérias, exaltá-lo com uma cultura superior. O que fez? Começou por matar alguns milhões de homens no regime de Stalin. Depois promoveu o Rock e outras aberrações culturais em sua versão culturalista (ainda hoje luta ferozmente contra toda a forma de cultura erudita). Batalha contra Deus e seu Filho ao lado da elite Gayzista; promove o aborto pelo mundo inteiro. Quer humanismo mais belo do que esse?
            Todos nós temos o dever de não descansar enquanto o abortismo não for vencido. O que está em jogo é tudo aquilo que a Civilização Católica conquistou. A luta por tudo aquilo que nos é mais caro passa pela luta contra o abortismo.

A CRITICIDADE NÃO EXISTE

PARTE 1

http://www.youtube.com/watch?v=GeILbXsSqm8&feature=youtu.be


PARTE 2

http://www.youtube.com/watch?v=BvXnPa4TiQg&feature=youtu.be

domingo, 24 de junho de 2012

Homossexualidade e natureza


Muito se discute a respeito de o homossexualismo ser ou não uma atitude natural. A questão é muito complexa se formos analisá-la mais detidamente e se tivermos em vista os mais variados conceitos de natureza. Façamos um pouco de esforço, não para esgotar e resolver a questão, mas para deixar claro, pelo menos, como ela é complicada, e afastar de nós essa mentalidade superficial de julgar as coisas apenas pelos chavões que a mídia e a intelectualidade militante nos propõe.
            Se natural é aquilo que o homem não produz, mas sim a natureza, a homossexualidade seria natural por ser encontrada na natureza entre os animais. Desse ponto de vista poderíamos dizer que a homossexualidade animal é natural, pois não é artificial, isto é, não é inventada pelo homem, mas surge na própria natureza. Mas transpor esse raciocínio para a sexualidade humana, como muitos fazem, não seria acertado, pois o ato homossexual de um ser humano, não possui o mesmo caráter que um ato homossexual animal, pois o ser humano, possui a razão e também é capaz de deliberar a respeito de seus atos. A partir disso poderíamos afirmar que a homossexualidade pode ser natural para os animais, sem que por isso seja também natural para os homens, isto é, é possível que a homossexualidade seja natural para os animais sem o ser para os homens. Isso ocorre também com outras atitudes animais, como por exemplo comer o filhote: pode ser natural para algumas espécies, mas para o homem não. Assim como pensar matematicamente e sentir culpa é algo natural para um ser humano sem o ser para o animal. Para o ser humano o ato homossexual seria fruto de uma deliberação, o que não ocorre para o animal.
            O contrário de natural é artificial, então aquilo que o homem produz através de sua inteligência pode ser considerado artificial. No julgamento moral da homossexualidade, para descobrir se é lícito ou não sua prática, muitos usam o argumento de que se trata de algo anti- natural. Esse argumento precisa ser esclarecido, pois é preciso saber se a pessoa está dizendo que a homossexualidade é artificial ou se a pessoa está dizendo que a homossexualidade ofende a natureza humana. Pois se o termo “anti- natural” designa apenas algo artificial, o argumento se torna inválido, pois usamos no nosso dia- a –dia inúmeros objetos artificiais, sem que isso comporte qualquer erro moral. Em suma, a homossexualidade não pode ser imoral sob o pretexto ser artificial. Mas se o argumentador postula que anti- natural não significa artificial, mas sim um pecado desnecessário e perverso contra a natureza, então sim o argumento pode se sustentar, desde que se prove que a homossexualidade ofende realmente a natureza de modo perverso e desnecessário. Pois todos são concordes em afirmar que a natureza pode ser modificada pela racionalidade do homem, desde que não ofenda certas coisas que consideramos sagradas por princípio, e é justamente isso que forma nosso patrimônio moral e nos permite não cair no malfadado relativismo.
            Entrando no campo religioso devemos lembrar que o pecado é uma invenção angélica, algo artificial, não forjado pela natureza. São muitas as perversões que homem pode fazer contra seu espírito e seu corpo, essas perversões são, ao mesmo tempo, invenções moribundas que destroem o homem e fazem com que ele se volte contra o projeto divino com o qual Deus o amou e honrou. Por exemplo: o homem pode usar sua inteligência para matar inocentes; seu corpo para obter prazeres excessivos e destrutivos como o uso de drogas, e assim por diante. Olhando para nós mesmos podemos perceber os planos de Deus para nós. Se olharmos para as nossas mãos veremos que devem servir para manipular objetos, não poderei usar elas para ouvir, mas posso sim deturpar seu uso usando elas para matar inocentes. Em nós está escrito o projeto de Deus, mas ao mesmo tempo estão abertas as possibilidades da nossa liberdade (lembrando que não somos livres para fazer o mal, ninguém é livre para roubar por exemplo, apenas é possível fazer o mal). O nosso nariz serve claramente para respirar e cheirar, mas quem duvidará que com ele também é possível cheirar cocaína?
            A moralidade está envolvida no conflito que o homem vive entre obedecer o projeto de Deus, inscrito no seu ser, na sua consciência e na revelação; e obedecer aos seus próprios impulsos e paixões.
       É espantoso ver pessoas se apoiando em atitudes animais para corroborar comportamentos humanos, trata-se de um argumento simplesmente ridículo.
           A homossexualidade ostensiva e ostentada é um ato de franco desafio ao criador e ao seu projeto. Os homossexuais, é redundante afirmar, merecem toda a ajuda dos cristãos, acolhimento e apoio, pois como seres criados por Deus para viver na eternidade, podem sim, ao contrário do que afirmam os capciosos mlitantes (que não creem em Deus e nem na liberdade humana), superar e abandonar tais pecados com a ajuda de Deus.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

ABORTISMO E NAZISMO

  Podemos, guardadas a devidas diferenças, ver nos abortistas o retorno da mentalidade nazista, à medida que creem não se tratar de um ser humano aqueles que eles oprimem com sua diabólica militância. Para melhor desculpá-los, e não ver neles uma perversidade gratuita, consideremo-los enganados por três grandes poderes: a perversidade, frieza e dureza do próprio coração, o arqui-inimigo da humanidade e o materialismo reinante.

sábado, 17 de março de 2012

Áurea Crítica


Muitas vezes a "criticidade" é alardeada como o objetivo máximo da educação. Pergunta-se a uma professora do primário seu objetivo, logo responde com o clichê: “formar um cidadão crítico”, e assim também respondem a professora do ginásio, do ensino médio e também o professor universitário. Mas talvez não saibam o que é ser crítico, talvez por repetirem a palavra sem reflexão, tenham esquecido o que significa verdadeiramente ser crítico.
            Antes que eu cometa o mesmo erro, direi sumariamente o que entendo por criticidade. Primeiramente, um cidadão crítico analisa as coisas com imparcialidade, mas não permanece neutro para sempre: estuda amplamente as questões, discute-as, procura ouvir os vários lados, para então, prudentemente, tomar uma decisão que o orientará. Um cidadão verdadeiramente crítico, não tem a criticidade como um valor em si, usa a criticidade para buscar o que é melhor, o bem supremo, esteja este onde estiver; do contrário não passa de um insensato que critica por criticar e não para buscar o melhor. Por isso, o homem crítico é aquele que busca e vive pelo melhor. Para ser um homem crítico é preciso ter as armas que compõe a criticidade: inteligência, conhecimento, virtude. Pois a criticidade não se faz com ignorância e incompetência, mas com sabedoria, conhecimento e virtudes, portanto para ser crítico são necessários pré-requisitos de ordem moral, instrumental e cognitiva. Diante disso é possível dizer que a maioria dos professores de hoje não promovem a verdadeira criticidade.
            É preciso que desde o primário a criança aprenda a comportar-se segundo uma moral elevada, mas hoje quase ninguém sabe o que é isso: nem os pais, nem os professores, nem os que escrevem sobre educação. Estes últimos nem mesmo se envergonham de não saber nada sobre as virtudes que os antigos e os medievais nos ensinaram. Essa cegueira dos adultos deixa as crianças a mercê de uma educação moralmente miserável, e é exatamente aqui que começa o naufrágio da educação, porque não pode ser crítico, não pode sequer cumprir sua finalidade, aquele que não adquire essa moral elevada (não explicarei esse conceito, porque qualquer pessoa de boa fé saberá seu significado). A criança cresce tendo por modelos os ícones do lixo cultural que nos rodeia e a escola pouco faz para combater essa influência nefasta, pois os pedagogos que escrevem no país não param de dizer que devemos lecionar partindo da realidade do aluno. Os ideais morais estão de tal modo enfraquecidos que ninguém consegue falar deles com clareza e sem medo: falam de emancipação, de liberdade, de criticidade, conceitos grandiloquentes, mas que nada explicam e dos quais se colhe os piores frutos. A moral católica é categórica: nela não encontramos esses rodeios perniciosos que só desviam e fecham os nossos olhos. O cristianismo considera que a liberdade consiste em lutar contra os nossos vícios, amar a Deus sobre todas as coisas e o próximo como a nós mesmos.
            Então eu me pergunto: por que não ensinamos isso aos nossos alunos? Os laicistas tremem de medo, e bradam: “não podemos, o estado é ateu, quer dizer, laico.” Sinceramente não consigo ver por que não ensinam a moral cristã aos nossos alunos, talvez tenham medo de que eles saiam por aí perdoando as ofensas e amando os inimigos. Enquanto insistirem em ensinar aos nossos alunos a penúria moral dos nossos tempos ao invés da moral verdadeiramente libertadora de Cristo, a educação continuará seu naufrágio, naufrágio esse do qual não sei dizer se é ou não intencional, embora por parte do demônio sempre seja.
            Outro problema no primário é a insuficiência no fornecimento de instrumentos básicos para o pensamento: leitura e cálculo. Falam tanto em estimular a criticidade e esquecem-se de que esta exige uma boa leitura e um pensamento racional desenvolvido.
            No ginásio, no ensino médio e na universidade, onde acontecem discussões sobre diversos temas, a imparcialidade é o fator menos visado. Ataca-se ferozmente e injustamente a Igreja Católica; esquecem-se de toda sua contribuição para a civilização; ataca-se Deus e a moral cristã; defende-se abertamente como livre de qualquer crítica a conduta homossexual e a liberação precoce da sexualidade etc. Tudo sempre a partir de um ponto de vista anti cristão, sem nenhuma abertura para um debate verdadeiro. Todo nosso sistema educacional está pautado nas piores teorias pedagógicas. A pedagogia brasileira é alimentada ad nauseam por Paulo Freire, Marx, Foucault, Nietzsche, Freud, Marcuse etc. A parcialidade é flagrante em todo nosso sistema educacional, espaço para visões de mundo materialistas e anti-cristãs.
            Estimulam sem escrúpulos o Funk, o Hip Hop e outras culturas de massa, como se nossos estudantes não se intoxicassem com isso durante todo seu tempo não escolar. Bach não encontra espaço no ambiente escolar e nenhum tipo de cultura clássica e erudita ali é ensinado.
            Já faz uns trinta anos que essa avalanche tem causado uma verdadeira destruição em nosso sistema de ensino. As escolas estão mais bonitas, há merenda boa, existem computadores, mas esses e todos os elementos que os teóricos prometeram que iam causar melhorias na educação fracassaram, não por serem nefastos em sim mesmo, mas por estarem apoiados numa concepção maligna de educação.