terça-feira, 19 de setembro de 2017

A ORDEM DO MEU LAR

           Fora de minha casa encontro músicas imorais, mas não em minha casa; fora de minha casa o centro dos ambientes é uma televisão ou uma tela de computador, na minha casa o centro é o Sagrado Coração; fora de casa vejo muita indecência, imodéstia, obscenidades, mas em casa não vejo nada disso; neste caótico mundo exterior vejo muita irreverência e blasfêmia, dentro do meu lar ouço orações, vejo Deus ser amado acima de tudo (apesar de nossas fraquezas e limitações); fora de casa vejo a revolução, a desobediência, em minha casa vejo reinar a legítima autoridade.
            Estamos longe da perfeição que um Deus tão generoso merece, mas não posso deixar de testemunhar o que Deus fez em nossas vidas, pois ao descrever meu lar não quero louvar a nossa família, mas dar glória a Deus e ajudar na salvação das almas. Este lar que a Graça de Deus me concedeu é um oásis de ordem no meio do caos diabólico do mundo moderno; sinal de que Deus o sustenta, sinal da força divina, pequena embarcação que paira, defendida pelo Onipotente, acima de vagas gigantescas.
            Há muitos outros lares católicos que se esforçam para cumprir o que ordena a Santa Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo. Rezemos a Deus, pela intercessão da Santíssima Virgem Imaculada, para que perseverem sendo luz nesse mundo tenebroso. Quantos aos outros lares rezemos para que se convertam.
            Sem Deus já teríamos naufragado, mas rezemos para que Deus nos preserve, nos mantenha na perseverança, na Fé, Esperança e Caridade, para sua maior Glória. Ave Maria!

domingo, 17 de setembro de 2017

ABJURAÇÃO DOS ERROS QUE PROFESSEI NO PASSADO, BEM COMO DOS ATOS ERRADOS QUE PRATIQUEI

        Gostaria de declarar publicamente que me arrependo de, em certos períodos de minha vida, ter professado ideias contrárias à Fé, principalmente o comunismo, o agnosticismo e o espiritismo. Arrependo-me também de tudo aquilo que fiz, disse, professei ou propaguei que contraria a Santa Madre Igreja Católica Apostólica Romana, a Igreja de Deus, a única verdadeira.
      Declaro também que pretendo servir à Igreja e não me afastar nunca mais dos seus ensinamentos; quero amar a Deus sobre todas as coisas e o próximo como a mim mesmo por amor a Deus; consagro-me à Nossa Senhora peço a Deus que me conduza ao Paraíso.

     A seguir gostaria de fazer uma protestação (com pequenas adaptações minhas) contida no livro Filoteia de São Francisco de Sales, parte 1 capítulo 20:

     Eu, Welder Walmor Ayala, muito indigna criatura de Deus, faço a protestação seguinte na presença de Sua Divina Majestade e de toda a corte celeste:
     Depois de ter considerado bem a imensa bondade de Deus, que me criou, que me conserva e sustenta; que me livrou de tantos males e concedeu tantos benefícios; depois de ter meditado a sua infinita misericórdia, que com tanta brandura tolerou meus pecados, que me chamou a si tantas vezes, por inspirações tão doces e frequentes, que com tanta longanimidade esperou a minha conversão, apesar das muitas oposições que tenho feito, por minha ingratidão, infidelidade, retardação da penitência e desprezo de suas graças; depois de ter considerado bem a profanação, que fiz tão repetidas vezes de minha alma e das graças que recebi no santo batismo, onde me devotei e consagrei a Deus, pelas promessas que então fizeram por mim; enfim, entrando em mim mesmo e com o espírito e coração consternado, perante Deus, eu me reconheço e confesso culpado e inteiramente convencido do crime que cometi, de lesa-majestade divina e da morte de Jesus, que só suspirou na cruz por causa dos meus pecados; deste modo eu confesso que justamente mereci as penas eternas.
      Mas, depois de ter detestado os meus pecados de todo o meu coração, eu me volto hoje para o trono do Pai das misericórdias, dizendo: Perdão, meu Deus, perdão. Eu vos suplico a remissão inteira dos meus pecados, em nome de Jesus Cristo, vosso Filho, que morreu na cruz para me salvar. Pondo nele toda a minha esperança, eu renovo hoje, ó meu Deus, a profissão de fidelidade que vos prometi no batismo. Agora, como então, eu renuncio ao demônio, ao mundo e à carne, e detesto para o resto de meus dias todas as suas obras, com suas pompas e concupiscências, comprometendo-me a vos servir e amar durante a minha vida, ó meu Deus, infinitamente bom e misericordioso. Sim, meu Deus, com esta intenção eu vos consagro a minha alma com todas as suas potências, o meu coração com todos os seus afetos, o meu corpo com todos os seus sentidos, protestando firmemente que não me quero servir de nada daquilo que tenho, contra a vontade de vossa divina majestade, e entregando-me com toda a submissão que vos deve uma criatura fiel. Mas - ah! - se por malícia humana eu for algum dia infiel às vossas graças e às minhas boas resoluções, eu protesto que nada negligenciarei, com a graça do Espírito Santo, para levantar-me imediatamente de minha queda.
     Eis aí a minha resolução inabalável e a minha intenção para sempre irrevogável, sem reservas ou exceções de qualidade alguma. Faço esta protestação na divina presença de meu Deus, em vista da Igreja Triunfante e em face da Igreja Militante, minha mãe. Dignai-vos, ó Deus eterno de bondade e misericórdia infinita, Pai, Filho e Espírito Santo, receber em odor de suavidade este sacrifício, que vos faço, de tudo o que sou; e, como me destes a graça de vo-lo oferecer, dai-me também as graças necessárias para cumprir fielmente as suas obrigações. Ó meu Deus, vós sois meu Deus, o Deus de meu coração, o Deus de meu espírito, o Deus de toda a minha alma; eu vos adoro e vos amo e por toda a eternidade vos quero adorar e amar. Viva Jesus! Viva Cristo Rei! Salve Maria!

Assinado: Welder Walmor Ayala





 

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

FILIE-SE AO PARTIDO SINISTRO



     Se você está cansado de tanta opressão.
     Se você está cansado de tanta discriminação.
     Se você está cansado de tanta desigualdade.
     Se você está cansado de trabalhar.
     Se você está cansado de ser reprovado por ser maconheiro.
     Se você está cansado de ser contrariado pela realidade.
     Se você está cansado de ser obrigado a admitir que dois mais dois são quatro.
     Filie-se ao partido sinistro.               
     Você fuma maconha? Parabéns! É de pessoas como você que nós precisamos, pois mostra que você não está amarrado por essa moral criada pelos porcos capitalistas.
     Você gosta de quebrar as coisas? Ótimo! É de pessoas como você que nós precisamos, pois mostra que você não tem a mentalidade reacionária de querer as coisas inteiras.
     Você gosta das coisas podres? Muito bem! Isso mostra o quanto você detesta o conservadorismo. Também nós do partido sinistro não conservamos nada, gostamos de tudo podre.
      Uma onda conservadora nazi-fasci-reacio-nazista tem tomado conta do nosso país. Precisamos lutar contra essa onda, pois muitos desses já defendem que o casamento entre uma zebra e um orangotango não constitui uma modalidade familiar, se continuar assim voltaremos ao tempo em que não era permitido às antas serem presidentas.
     Não vamos deixar isso acontecer, não vamos voltar à idade das trevas onde não podíamos sequer defender a morte dos capitalistas. A elite branca quer nos tirar esse direito. Não podemos abrir mão das conquistas que obtivemos. A ultra-hiper-mega-extrema direita não deterá nossa marcha rumo a uma sociedade onde todos os seres sejam considerados cidadãos cosmopolitas de uma única e grande pátria. Falando nisso deixo no ar uma pergunta: Por que os fungos não podem votar? E termino com essa magnífica e indubitável resposta: devido à opressão histórica sofrida pelos fungos na mesma época em que as lulas não podiam ser presidentas. Foi a lula que abriu o espaço para que esse preconceito pudesse ser superado. Agora a anta que venceu democraticamente as eleições tem avançado para avançar rumo a um mundo ser fungofobia. Venha para o partido sinistro! Fungofóbicos, lulofóbicos e antofóbicos não passarão.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

A SANTIDADE ENSINADA POR UMA CRIANÇA DE OITO MESES



       

          O Hugo tem oito meses. Tenho contemplado-o bastante ultimamente. Sua beleza infantil, sua pureza e inocência têm prendido a minha atenção e me convidado a muitas reflexões. Certamente há muito o que aprender nessa contemplação.
            No mar de malícia em que nos encontramos, as crianças brilham fulgurantemente, a luz de sua pureza contrasta com as trevas da imundície que nos cerca. De tanto observar esse meu filho mais novo, acabei por constatar que ele poderia ser um oásis para lembrar-me de coisas elevadas. Como que diante de um milagre indestrutível encontrei-me e ao contemplar tal maravilha passei a desconfiar de que Deus quer eloquentemente ensinar-me algo.
            Não seria exagero meu afirmar que o Hugo (meu filho de oito meses) se encontra em estado de santidade: não possui pecados pessoais e foi liberto do pecado original pelo Batismo. Sua alma inocente encontra-se na mais bela amizade com Deus.[1]
            Essa idade que ele tem agora é particularmente especial, pois antes disso a criança quase não esboça reações e a partir dessa idade a pureza vai se perdendo aos poucos para dar lugar às imperfeições, que na maior parte das vezes não são culposas, mas mesmo assim parece que começam a macular a candura que até então nos encantava. É claro que esse processo ocorre muito lentamente, de modo que podemos ver as manifestações dessa pureza em crianças bem maiores e até mesmo em adultos (nesse caso muito raramente). Em todo caso, Deus parece nos reservar bem pouco tempo para contemplar essa extraordinária sublimidade, pois as crianças crescem muito rápido e infelizmente o pecado e as imperfeições vão destruindo essa esplêndida inocência que o evangelho nos ensina a admirar e buscar.
            O que atrai na criança não é apenas a beleza, não é apenas a inocência e a pureza, mas algo de especial que obviamente não sou capaz de dizer. Arrisco dizer (e se estiver errado desconsiderem e corrijam) que um adulto que não tivesse nunca cometido pecados não seria tão encantador e puro quanto uma criança, embora certamente teria mais méritos. Isso ocorreria porque mesmo não pecando, esse adulto teria desenvolvido as imperfeições causadas pelo pecado original, algo que à criança ainda não teria ocorrido por falta de tempo. Observando por esse ângulo somos levados a considerar o encanto de Nosso Senhor Jesus Cristo e de Sua Santíssima mãe que não possuem com o pecado nem o mais longínquo contato; podemos considerar também o encanto de São João Batista que foi santificado no ventre de sua mãe.
            A criança até determinado estágio não tem os meios para pecar, não tem vontade de pecar, não tem capacidade para pecar e não tem entendimento para pecar. A criança é completamente ignorante e sendo assim não pode pecar, pois a ignorância, quando não é culposa, exclui a responsabilidade pelo erro cometido.
            Cristo nos diz que para entrarmos no Reino dos Céus é preciso que nos tornemos como crianças. Permito-me dizer que ele disse isso em sentido alegórico, portanto devemos ser ignorantes como as crianças, mas não da mesma forma, pois elas são ignorantes devido à sua própria condição, coisa que não cabe aos adultos, que em geral têm a obrigação de aprender muitas coisas, sobretudo as referentes à salvação. Como então deve o adulto ser ignorante? Creio que seja não confiando na própria sabedoria, no próprio conhecimento, na própria inteligência, mas confiando primeiramente em Deus. Pedindo a inspiração do Espírito Santo, entregando a Deus todas as faculdades e rogando a Deus em humildade a cada passo que se dê.
            A criança encontra-se numa situação de extrema dependência. Ela não pode fazer quase nada sem o auxílio de alguém. Em geral o adulto não é dependente a esse ponto, pois exibe uma autonomia muito maior. Deve, no entanto, ser dependente como uma criança, para seguir o conselho de Jesus. Depender de Deus para tudo, recorrer a Deus em tudo, pedir a Deus auxílio em todas as necessidades e atribuir a Ele toda a glória.
            Os pequenos ao fugirem dos perigos vão em direção aos pais com uma confiança que é tocante. Esse é mais um dos aspectos que devemos imitar se quisermos obedecer ao que Jesus nos diz a respeito das crianças.
            Quando Nosso Senhor nos diz que só entraremos no Reino dos Céus se nos tornarmos como crianças, nos dá uma condição para a Salvação, mas também nos aponta como seremos no Paraíso, isto é, seremos puros como crianças, mesmo sendo adultos. Como tudo o que Deus criou quer nos dizer algo, ao contemplar meu filho creio ter aprendido vagamente como será um dos tantos milagres do Paraíso: ser um adulto pleno e ainda assim tão belo, encantador, puro e inocente quanto uma criança de oito meses.


[1] Se eu estiver dizendo algo que contrarie a Doutrina Católica desde já renuncio ao erro. Não apenas neste texto, mas em qualquer outro de minha autoria. E isso também se estende para qualquer coisa que eu disser ou pensar.

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

É ASSIM PORQUE DEUS O QUIS



Em geral os argumentos usados pelos incrédulos são absurdos, mas um se sobressai por expressar uma grande cegueira e, sobretudo, orgulho. Trata-se de um argumento que se apresenta das mais variadas formas, mas que em essência consiste em dizer que uma coisa não pode ser de determinada maneira, pois se assim fosse seria irracional, cruel, desagradável e assim por diante. Baseando-se nesse argumento os ateus dizem que Deus não pode existir, pois caso Ele existisse não teria permitido o mal; outros dizem que não existe inferno, pois seria incompatível com a misericórdia de Deus; e há até mesmo os que dizem que os milagres não podem ocorrer, já que Deus não quebraria Suas próprias Leis. Esconde-se por trás dessa esdrúxula argumentação a tentativa de julgar aquilo que simplesmente não está ao alcance do homem.
            É simplesmente óbvio que o homem não pode saber por que Deus fez as coisas de um determinado jeito e não de outro. Não é possível saber por que Deus fez o cavalo com quatro patas e não com dez, Deus executa a Sua Vontade Onipotente e ninguém pode aconselhá-lo: “Ó abismo da riqueza, da sabedoria e da ciência de Deus! Como são insondáveis seus juízos e impenetráveis seus caminhos! Quem, com efeito, conheceu o pensamento do Senhor? Ou quem se tornou seu conselheiro? Ou quem primeiro lhe fez o dom para receber em troca? Porque tudo é dEle, por Ele e para Ele. A Ele a glória pelos séculos! Amém.” (Romanos 11, 33-36).
A maioria dos fenômenos que regem o universo nos são completamente incontroláveis, de modo que observamos impotentes as coisas acontecendo ao nosso redor e por maior progresso que a ciência tenha alcançado essa impotência continua, pois ela faz parte da essência das coisas e pertence a algo que não podemos alterar. Podemos sim realizar muitas coisas, mas não podemos alterar essencialmente a ordem que existe no universo, até porque somos parte dessa mesma ordem e não seus criadores. Não podemos fazer o olho ouvir ou os ouvidos verem. Não somos os criadores do nosso próprio ser e nossa liberdade nada tem a ver com onipotência, mas expressa também nossa impotência, pois a nossa liberdade não nos dá o poder de realizar irrestritamente a nossa vontade. Somos vasos nas mãos do supremo oleiro, sendo assim: “Ai daquele que contende com o seu Criador! o caco entre outros cacos de barro! Porventura dirá o barro ao que o formou: Que fazes?...” Isaías 45:9.
Quando um engenheiro constrói mal uma casa, quando um escultor não executa com a devida perfeição uma obra, enfim quando qualquer artífice não realiza bem o seu trabalho, podemos sempre avaliá-lo tendo como base um outro artífice da mesma categoria, sendo que o bom artífice serve como critério para que possamos julgar os demais. O mesmo não ocorre com o universo, pois só existe um único universo, de forma que não podemos buscar alhures elementos para uma comparação, logo quando o descrente tenta encontrar defeitos na ordem divina do universo está agindo com descabida pretensão. “Que haveis de comparar a Deus? Que semelhança podereis produzir dele?” (Isaías 40:18). Onde encontrará ele outro universo para impugnar este? Será obrigado a apelar para a própria fantasia, para os próprios desejos e assim será obrigado a comparar o único e real universo ao universo maravilhoso de sua insensata pretensão. Aí está delineado o velho princípio gerador de todo o pecado: “Subirei acima das nuvens, tornar-me-ei semelhante ao Altíssimo”; “...Vossos olhos se abrirão e sereis como deuses...”, cuja única resposta adequada é aquela dada por São Miguel Arcanjo: “Quem como Deus?”.
O caminho correto é saber em primeiro lugar como as coisas são e a partir disso tirar novas conclusões, e não tentar descobrir como é a realidade partindo do que nos seria mais plausível ou agradável. A lógica[1] e as nossas preferências, mesmo as mais nobres, não podem jamais descobrir como é a realidade, tampouco quando se trata da Realidade Divina. Por exemplo: ninguém jamais pode dizer que não acredita que uma árvore produz frutos azedos alegando que isso seria ilógico, ou alegando que isso seria desagradável, ou, mais absurdo ainda, que seria contra a misericórdia de Deus; essa questão é factual e para resolvê-la bastam os sentidos. O mesmo não ocorre com as coisas divinas.
            É impossível conhecer as coisas de Deus sem a Sua revelação, pois os objetos da Fé estão infinitamente acima da capacidade humana. Sendo assim nós devemos partir da Revelação e só depois usar a lógica para chegar a novas conclusões. Deus não nos convence com argumentos, mas com Sua autoridade e Poder; Deus não entra num diálogo com o homem para discutir Sua Doutrina, Ele a impõe. Obviamente Ele nos torna capaz de aceitar essa doutrina através de uma virtude chamada Fé, através dessa virtude nós conseguimos aderir firmemente a tudo o que ele nos revelou, pois Deus não pode Se enganar nem enganar-nos. Essa virtude não é um convencimento lógico-racional que nos é incutido por Deus, mas uma adesão que provém em parte da razão (que reconhece a pertinência de aderir à sublimidade daquilo que é revelado), e, sobretudo, provém da vontade. Através dos sacramentos, recebemos de Deus essa virtude teologal, a partir de então percorremos uma caminhada para aprender o conteúdo dessa Fé, esse conteúdo é a Doutrina propriamente dita.
A Doutrina nos dá então a conhecer os fatos a respeito da realidade divina. A partir deles podemos então formular novos raciocínios para tentar compreender o mundo à nossa volta, e não o contrário: tentar olhar o mundo à nossa volta para tentar compreender a realidade divina. É verdade que olhando ao nosso redor podemos conhecer algumas coisas sobre Deus, como sua existência, poder etc., mas como poderíamos, por exemplo, saber que Ele é Uno e Trino? Como poderíamos saber da Redenção? Dito isso, resulta claramente ser uma loucura querer inquirir as realidades divinas sem apoiar-se na Revelação.
            Para aqueles que duvidam que a Igreja Católica Apostólica Romana seja a única portadora dessa Revelação, basta estudar a sua história e ver com que dons extraordinários Deus cumulou a Sua Igreja, livrando-a das ímpias perseguições movidas pelos mais variados inimigos da Fé; como a adornou com exemplos da mais heróica santidade; como proveu os mártires com sobrenatural fortaleza; e finalmente contemplar os extraordinários milagres realizados por Deus para confirmar que Ele está presente e vivo na Sua Única Igreja. Obviamente esse simples estudo é apenas um auxílio, pois a conversão é obra do Espírito Santo, por isso o que se recomenda é oração, vida de virtudes e muita busca, pois Jesus disse que aquele que procura encontra.
            Nem sempre as coisas são como nós queremos, só Deus é Onipotente. Às vezes os incrédulos são tentados a perguntar com soberba o porquê de certas regras morais, o porquê do inferno, o porquê do sofrimento. Mas a realidade esta aí para nos lembrar que a morte virá, desprezando completamente a revolta que contra ela se possa nutrir; a doença virá independente de aceitação e Deus nos julgará impreterivelmente. Nem Lúcifer, que antes da queda era um dos anjos mais poderosos, pôde alterar os desígnios de Deus, sua revolta só serviu para sua condenação e dos que o seguiram (inclusive homens). Diante disso resta escolher entre amar a Deus por toda a eternidade ou a condenação. Nada mais justo, pois quem rejeita o Bem Supremo, não pode possuir nenhum bem, e merece todos os males.
            Chesterton com toda a elegância e brilhantismo que lhe é peculiar nos diz em seu livro “Ortodoxia” que a ordem que encontramos no universo demonstra não uma automática necessidade como querem os ateus deterministas, mas uma vontade. E que vontade poderia ser senão a Vontade Divina? O mundo moderno, iludido pelo progresso científico, não consegue ver o mistério que o universo contém, quer tudo enquadrar em leis necessárias e assim parece acreditar que será capaz de explicar tudo. Chesterton refuta essa mentalidade de modo poético e põe a descoberto sua fragilidade, pois a repetição dos fenômenos não prova uma necessidade automática, mas uma vitalidade que ele compara com a vitalidade de uma criança que repete inúmeras vezes a mesma brincadeira, segundo ele talvez Deus seja suficientemente forte para exultar na monotonia. Além disso, a repetição de algo misterioso não nos deveria levar a uma familiarização, mas a um fascínio ainda maior. O fato de o sol nascer uma vez seria assombroso, mas o fato de o sol nascer inúmeras vezes é ainda mais assombroso. A ciência não pode explicar esses mistérios, tenta apenas enquadrá-los dentro de determinadas leis, mas não pode explicar o seu porquê. E por que não o pode? Simplesmente porque trata-se de uma vontade divina, e ao final de todas as séries de perguntas a resposta final será sempre: “porque Deus quis assim.”
Eis então um grande ensinamento e, mais que isso, um antídoto contra o orgulho e esse seu fruto amargo que é o ateísmo: não olhar o mundo com os olhos decrépitos do determinismo, mas com o olhar inocente e vivaz das crianças, com aquele olhar que é capaz de exultar nas maravilhosas repetições com que todos os dias somos contemplados.


[1] Não quero afirmar com isso que o conteúdo da fé contraria a razão, mas simplesmente que a transcende.